ANDRÉ DE LUCAS: Imperialismo norte-americano — o motor do golpe


        Já faz décadas que o Imperialismo norte-americano vem pondo em prática uma nova artimanha para desferir seus golpes. Os golpes das últimas décadas não são implementados como os dos anos 60 e 70. No meio do século XX, assim como atualmente, o capitalismo estava posto contra a parede. As revoluções chinesa, cubana, coreana, vietnamita etc, faziam o poder burguês tremer em seus alicerces. Porém, a burguesia encontrou um meio para sufocar os levantes revolucionários e anti-imperialistas pelo mundo por meio das ditaduras militares que assolaram países da América Latina, África e Ásia, suas semicolônias.
        Os golpes modernos não dispõem de tanques nas ruas ou torturadores fardados; a burguesia não precisa mais do trabalho pútrido dos militares, já que agora vivemos em outra ditadura, a do capital, imposta sem dó nem piedade pelo neoliberalismo. Assim, os golpes vêm por vias institucionais, judiciais e com amplo apoio da mídia reacionária. Dois golpes recentes contra governos progressistas na América Latina podem ser tomados como exemplo. Honduras em 2009 e Paraguai em 2011. Chamo atenção para o fato de que esses governos foram bem mais moderados em relação às experiências da Venezuela, Bolívia e Equador, que sofrem pesadas investidas imperialistas desde o início dos anos 2000.
        Em Honduras, o presidente Manuel Zelaya, eleito democraticamente em 2006, foi derrubado em 2009 por um golpe carimbado pela Corte do país. Foi condenado por “crime de traição”. Na época, o mundo inteiro condenou o golpe. Zelaya se refugiou por quatro meses na embaixada do Brasil na capital hondurenha, Tegucigalpa. O golpe de Estado foi desmascarado por centenas de documentos liberados pelo WikiLeaks, como um relatório do embaixador norte-americano na capital hondurenha, Hugo Llorens, que afirma que a ocorrência do golpe e o ascenso de Roberto Micheletti para a presidência interina foi completamente ilegítimo⁽¹⁾.
        Já no Paraguai, em 2012, o presidente Fernando Lugo foi deposto por um impeachment sem razão jurídica, acusado de “fraco desempenho de suas funções”. O Paraguai foi suspenso do Mercosul, e, após o golpe, o alinhamento com o imperialismo ficou cada vez mais evidente. Em 2014, uma base militar norte-americana foi instalada em território paraguaio sob o pretexto de “defender empresas norte-americanas”⁽²⁾. O caso paraguaio se assemelha mais com o brasileiro. No Brasil, a Operação Lava Jato, um instrumento jurídico-político da burguesia e seus serviçais, como o juiz Sergio Moro, é utilizada para por em prática o golpe político e, assim, destruir o pouco que resta da nossa soberania nacional.
        A Petrobras, principal estatal brasileira e empresa de tecnologia de ponta, vem sendo alvo dos lacaios imperialistas desde o começo, principalmente através da PLS 131 do vende-pátria José Serra, senador do PSDB, que busca a todo custo entregar as reservas de pré-sal aos monopólios estrangeiros⁽³⁾. O aparato articulado pelo Império para pavimentar o caminho em prol de seus interesses está em todos os cantos e vai dos famigerados serviços de inteligência norte-americanos, como o FBI, a CIA e o DEA, que financiam nossa Polícia Federal e seus oficiais muito bem preparados para servir seus amos⁽⁴⁾. Juízes, promotores, ONGs dos mais variados tipos, institutos liberais como o Millenium, partidos e organizações como Movimento Brasil Livre (MBL), de uma forma ou de outra também possuem ligações com o a burguesia estrangeira.
        O Imperialismo vem sofrendo seguidas derrotas no plano político, econômico, tático e estratégico. O conflito na Síria (principal conflito anti-imperialista do nosso tempo) é um exemplo disso. Uma potência em ascensão é menos perigosa que uma potência que está prestes a perder a sua hegemonia. É dever de todos os comunistas e daqueles que prezam pela nossa soberania como nação combater e denunciar as atrocidades cometidas pelo nosso maior inimigo, o Imperialismo.

“O Imperialismo americano é um tigre de papel”
 — Mao Tsé-Tung, grande líder da Revolução Chinesa.



NOTAS:

(1): ZELAYA DENUNCIA QUE EUA FOI CÚMPLICE NO GOLPE DE HONDURAS. Portal Vermelho, 30 de novembro de 2010. (Acesse).
(2): CALLONI, Stella. "Detrás del golpe: nuevas bases en Paraguay". Cuba Debate, 1 de julho de 2012. (Acesse).
(3): NOGUEIRA, Guilherme. "Senado votará projeto tucano de entrega do pré-sal". Nova Cultura, 24 de fevereiro de 2016. (Acesse).
(4): POLICIAL CONFIRMA QUE PF RECEBE DINHEIRO DA CIA E FBI. Estado de S. Paulo, 13 de abril de 2004. (Acesse).

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