Nossas agências de polícia secreta estão ocupadas no trabalho de plantar entre a mídia prostituída a noção de que Trump está comprometido por "conexões russas" e é uma ameaça à segurança dos EUA. O plano é defender essa tese nas mídias, como foi feito contra o Presidente Nixon, e expulsar Trump do Gabinete. Enfrentar abertamente um presidente recém-eleito é um ato de audácia extraordinária que implica enorme confiança, senão desespero, da parte da agência de polícia estatal.
Recentemente, vimos a CNN cooperando abertamente com a CIA ao lidar com especulação selvagem e irresponsável de que Trump estaria sob influência russa, como se isso fosse um fato estabelecido⁽¹⁾.
A "prova" fornecida pela CNN é uma "reportagem" do New York Times que, com pouca dúvida, foi plantada no jornal pela CIA. Torna-se óbvio que a CNN e a CIA encaram o povo americano como tão crédulo a ponto de ser completamente estúpido. Glenn Greenwald recentemente explicou a Amy Goodman que a CIA persegue Trump, porque a sua política anunciada de reduzir as perigosas tensões com a Rússia entra em conflito com a necessidade do Complexo Militar-Industrial:
"O Estado Profundo, embora não haja definição precisa ou científica, refere-se geralmente a agências em Washington que são facções permanentes de poder. Elas permanecem no poder e exercem-no enquanto presidentes que são eleitos vão e vem. Elas tipicamente exercem seu poder secretamente, nas sombras, e assim raramente são sujeitas à responsabilização democrática, se é que são sujeitas à algo. São agências como a CIA, a NSA e a outras, que essencialmente são concebidas para disseminar desinformação, engano e propaganda — e têm um longo histórico não só de fazer isso como também de cometer os piores crimes de guerra, atrocidades e esquadrões da morte. Não se trata apenas de pessoas como Bill Kristol, mas muitos do Partido Democrata estão a confiar nisso, a tentar fortalecê-las, a encorajá-las para que exerçam um poder separado e à parte — de fato, em oposição — a responsáveis políticos aos quais elas supostamente deveriam subordinar-se.
E isto não é apenas acerca da Rússia. Se remontar toda a campanha, o que se viu foram os principais membros da comunidade de inteligência, incluindo Mike Morell, que foi chefe da CIA sob o Presidente Obama, e Michael Hayden, que dirigia tanto a CIA como a NSA sob George W. Bush, foram apoiantes sem rodeios de Hillary Clinton. De fato, durante a campanha, Michael Morell publicou no New York Times, e Michael Hayden no Washington Post, louvores à Hillary Clinton e acusações de que Donald Trump se tornara um recruta da Rússia. A CIA e a comunidade de inteligência apoiavam Hillary veementemente e opuseram-se a Trump desde o início, e a razão para isto é porque gostam mais das políticas de Hillary Clinton do que das de Donald Trump. Uma das principais prioridades da CIA durante os últimos cinco anos tem sido uma guerra por procuração na Síria, destinada a alcançar uma mudança de regime e derrubar Assad. Hillary Clinton não era apenas favorável a isso, ela criticava Obama por não lhe permitir ir mais além e queria impor uma zona de interdição de voo (no fly) na Síria e confrontar os russos. Donald Trump adotou a visão exatamente oposta. Ele disse que não nos deveríamos importar com quem dirigisse a Síria, que deveríamos permitir — e até mesmo ajudar — que os russos combatam o Estado Islâmico e al-Qaeda na Síria. Assim, a agenda de Trump era completamente oposta àquilo que a CIA queria. A da Clinton era exatamente o que a CIA desejava e, assim, estavam por trás dela. Por isso tentaram minar Trump durante muitos meses ao longo da campanha eleitoral. E agora que ele venceu, não estão apenas a miná-lo com fugas, mas a subvertê-lo ativamente. Há afirmações de que estão ocultando informação dele, com base no que pensam que ele deveria saber e na confiança que possa merecer. Estão se fortalecendo para decretar sua política.
Agora, penso que a Presidência Trump é extremamente perigosa. Você acaba de enumerar nas suas notícias — no seu noticiário que abriu o show, muitas das razões. Eles querem arruinar o ambiente, querem eliminar a rede de segurança, querem fortalecer bilionários, querem decretar políticas intolerantes contra muçulmanos e imigrantes e muitos outros. É importante resistir à eles e há muitos meios realmente bons para resistir, tais como conseguir que tribunais os restrinjam, praticar o ativismo da cidadania e, o mais importante de todos, ter o Partido Democrata empenhado na autocrítica, perguntando-se como pode ser uma força política mais eficaz nos Estados Unidos depois de ter entrado em colapso em todos os níveis. O que não é a resistência que está sendo feita agora. O que eles estão a fazendo, pelo contrário, é tentar apossar-se da única força pior do que Donald Trump, a qual é o Estado Profundo, a CIA, com suas histórias de atrocidades, e dizer que elas devem quase empenhar-se numa espécie de golpe suave, onde eles capturam o presidente eleito e impedem-no de executar suas políticas. Penso que é extremamente perigoso fazer isso. Mesmo que alguém acredite que tanto a CIA e o Estado Profundo, por um lado, e a Presidência Trump, por outro, são extremamente perigosos, como eu acredito, há uma enorme diferença entre os dois. A diferença é que Trump foi eleito democraticamente e está sujeito a controles democráticos, como estes tribunais e as mídias estão a demonstrar, como os cidadãos estão a provar. Mas, por outro lado, a CIA não foi eleita por ninguém. Eles estão muito pouco sujeitos a quaisquer controles democráticos. E assim, instar que a CIA e a comunidade de inteligência se fortaleçam a fim de minar os ramos eleitos do Governo é insano. Esta é a receita para destruir a democracia de um dia para o outro em nome da sua salvação. Ainda assim, é isto que muitos, não apenas neocons, mas aliados dos neocons no Partido Democrático, estão agora a instar e a aplaudir. E é incrivelmente distorcido e perigoso observá-los a fazer isso."
Os Estados Unidos estão agora na situação extraordinária em que a esquerda liberal está aliada ao Estado Profundo contra a democracia. Os liberais estão trabalhando em lobby para o impeachment de um Presidente que não cometeu qualquer delito que o justifique. Os neoconservadores declararam sua preferência por um golpe do Estado Profundo contra a democracia. Os meios de comunicação consentem com uma barragem constante de mentiras, insinuações e desinformação. O indiferente público americano assiste a tudo placidamente.
O que pode fazer Trump? Ele pode expurgar as agências de inteligência e terminar com a licença que lhes foi concedida por Bush e Obama para conduzir atividades inconstitucionais. Ele pode utilizar a lei antitruste para romper os conglomerados de mídia que Clinton permitiu que se formassem. Se Bush e Obama puderam, com a sua própria autoridade, sujeitar cidadãos dos EUA a detenção indefinida sem o devido processo e se Obama podia assassinar cidadãos estadunidenses suspeitos sem o devido processo legal, Trump pode utilizar a lei antitruste para romper os conglomerados das mídias que falam em uma só voz contra ele.
Nesta altura Trump não tem alternativa senão combater. Ele pode demolir as agências de polícia secreta e os conglomerados prostituídos das mídias, ou serão eles a derrubá-lo. Descartar Flynn foi a pior coisa que se podia fazer. Ele deveria ter mantido Flynn e despedido os "denunciantes" ("leakers") que estão ativamente utilizando desinformação contra ele. A NSA teria de saber quem são os denunciantes. Trump deveria limpar a corrupta administração da NSA e nomear responsáveis que identificarão os denunciantes. A seguir Trump deveria processar os denunciantes com todo o peso da lei.
Nenhum presidente pode sobreviver a agências de polícia secreta determinadas a destruí-lo. Se os conselheiros de Trump não sabem isto, Trump precisa desesperadamente de novos conselheiros.
NOTAS:
(1): GREENWALD: EMPOWERING THE "DEEP STATE" TO UNDERMINE TRUMP IS PRESCRIPTION FOR DESTROYING DEMOCRACY. Information Clearing House, 17 de fevereiro de 2017. (Acesse).
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