
O porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, Igor Konashenkov, declarou que o gás tóxico cuja dispersão em Khan Sheikhoun, dia 4, causou a morte de 72 pessoas e centenas de feridos, estava estocado no interior de uma fábrica de ogivas com material químico acoplado.
Konashenkov acrescentou que este tipo de arma foi localizado quando as forças sírias realizaram a limpeza de bombas e minas na região leste de Alepo que antes estava sob controle do bando terrorista Jabhat Al Nusra (que devido ao desgaste que teve, após mostrar vídeo de integrantes seus comendo fígado de prisioneiros ou cortando a cabeça de garoto palestino, mudou de nome para Jabhat Fateh Al Shams) e também foi localizado na posse de elementos do Estado Islâmico no Iraque.
O governo sírio manifestou-se através de seu vice-ministro do Exterior, Walid Al Moallem, para enfatizar que “o Exército Sírio não usou e não usará armas químicas nem mesmo quando em combate com terroristas”.
Assim que surgiram as notícias das mortes na província de Idlib, a mídia controlada pelos Estados Unidos começou a mostrar vídeos e a levar a público longas matérias sobre o suposto uso de armas químicas pelo governo sírio.
Os EUA convocaram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU e sua representante, Nikki Haley, fez um discurso emocionado, já munida de fotos com crianças com aparelhos de respiração. A delegação norte-americana propôs uma imediata condenação ao governo sírio pelo ocorrido e buscou chantagear os membros do Conselho de Segurança: “Se a ONU falhar em tomar decisões sobre a Síria, seremos compelidos a tomar nossas próprias ações”.
Vale notar que uma semana antes, tanto ela quanto o secretário de Estado, Rex Tillerson, haviam dito que caberia ao povo sírio decidir sobre o presidente Assad, uma mudança aparente nas declarações do governo atual das do governo de Obama e Hillary, de que só haveria paz com “a saída de Assad”. Estranhamente tais declarações não foram acompanhadas de mudanças no terreno. O incidente de Khan Sheykhun foi o suficiente para o presidente, Donald Trump, dizer que o governo sírio “cruzou todas as linhas. Quando vemos crianças inocentes, bebês inocentes, com gás químico, isso vai além de todas as linhas vermelhas”. Isso na quinta, um dia depois do incidente, sem que houvesse tempo para qualquer análise ou comprovação das alegações da ONG, Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que consiste em um homem com escritório em Londres, de que as mortes foram causadas por mísseis químicos sírios.
Nada de Trump se mostrar sensibilizado com os quase seiscentos mortos que sua própria força aérea provocou — fato reconhecido por seus próprios comandantes — no avanço sobre Mossul, em apenas uma semana. Mas com relação a Assad, sem nada comprovado contra ele neste caso, diz que “mudou” e que é uma pessoa “flexível” e que se “orgulha dessa flexibilidade”.
A Rússia apresentou proposta de resolução ao Conselho de Segurança da ONU apoiando investigações minuciosas para que se descubra quem causou o desastre.
As possibilidades de uma ação de bandeira trocada também não estão descartadas.
A porta-voz do ministério do Exterior, Maria Zakharova, declarou que a proposta de resolução apresentada pelos EUA sobre a Síria é "completamente baseada em relatos falsos”.
Já o general Konashenkov questionou: “O Exército sírio vem obtendo vitórias após vitórias. Por que recorrer ao uso de armas químicas?”
A explosão aconteceu no dia em que as negociações internacionais para a solução do conflito na Síria, realizadas em Bruxelas estavam começando. Por que a Síria teria interesse em bombardear com armas químicas exatamente neste dia?
O jornalista Paul Antonopoulos, vice-diretor do site Al-Masdar News, declarou que sete horas antes do ataque em Khan Sheykhun, o jornalista Feras Karam, da cadeia Orient TV, publicou através do Twitter uma mensagem anunciando o lançamento de uma campanha midiática para denunciar ataques aéreos químicos por parte do governo sírio.
Antonopoulos levanta mais uma série de incongruências nos filmes apresentados pelos que acusam que a morte foi por “gás sarin”. Uma das fotos apresentadas pelos Capacetes Brancos que prestam socorro às vítimas os mostra com a mãos sem luvas “enquanto que o gás que teria atingido as pessoas atinge os nervos e os músculos de quem entra em contato com a substância em questão de segundos”.
Ele observa ainda para as filmagens — de muito boa qualidade para uma situação de acidente gravíssimo sob bombardeio, com ambulância saindo de dentro de espécie de caverna, o que sugere uma localidade diferente de uma região residencial em uma cidade. “É como se os corpos tivessem sido deslocados para lá”.
O jornalista lembra que houve um ataque em Ghouta, perto de Damasco, seguido de denúncias sobre uso de armas químicas pelo Exército Sírio, em 2013, no mesmo dia em que uma grande equipe internacional de inspetores montada pela ONU e em acordo com o governo sírio chegava a Damasco.
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