ALDO REBELO: É preciso unir ideologias e correntes políticas para tirar Brasil da crise

 


        As primeiras tarefas do presidente eleito em outubro, seja ele qual for, deverão ser ações de governo, em conjunto com a sociedade, para criação de empregos, redução da desigualdade social e restabelecimento do convívio democrático.
        Na trajetória dessa empreitada pelo desenvolvimento e a democracia, impõe-se a compreensão de que a crise de natureza econômica, social, política, institucional e até de valores que esgarça e agita a sociedade brasileira exige a união das diversas correntes políticas e ideológicas para sua superação.
        Tanto quanto dividido, o Brasil está desorientado. A primeira conquista que se impõe é o reconhecimento de que o interesse nacional precisa ser entronizado acima de quaisquer outros. E a pedra de toque desse interesse assenta-se muito além da arena internacional, pois fundamenta-se em um projeto nacional-desenvolvimentista baseado na união até de forças heterogêneas para forjar um ambiente de prosperidade e bem-estar material e espiritual da população.
        A eleição presidencial deste ano é o instrumento perfeito para amansar as vozes turbulentas que inflamam, já não o debate político, mas a gritaria de surdos em que todos se ofendem e se ignoram.
        De tão radicalizadas e multifacetadas, ideias e posições não têm condições de conquistar hegemonia em um país complexo e carente de transformações profundas que só um esforço conjunto pode produzir.
        A grande vitória eleitoral não será do candidato de um partido ou mesmo de coligação afinada ideologicamente, nas forças de centro, direita e esquerda que se destacam no espectro eleitoral.
        O triunfo saneador será de uma candidatura que reúna os predicados essenciais à condução do País na senda da pacificação e do progresso. Essa trajetória de resgate do sentido de Nação, em que sobressai o bem comum, desenha-se como apelo eleitoral, desde que baseado em um programa de valorização do Brasil e dos brasileiros.
        Em recente "Manifesto pela União Nacional", configurei a epopeia bem-sucedida de construção de um País que investiu na solução dos problemas sociais, mas que hoje precisa empreender um movimento acelerado para consolidação de três objetivos:

  1. Ampliar a soberania nacional com o pleno desenvolvimento econômico, científico, tecnológico e dos meios de defesa do País.
  2. Elevar a qualidade de vida do povo brasileiro com a redução das desigualdades sociais; proteção da infância e da maternidade, acesso à educação de qualidade, saúde e saneamento básico; combate sem tréguas ao crime organizado e valorização da segurança pública contra o banditismo em todas as suas formas.
  3. Fortalecer a democracia e a tolerância na convivência entre os brasileiros, com realização de uma reforma que liberte nosso sistema político do controle de interesses corporativos e oligárquicos e assegure o predomínio dos grandes debates dos temas nacionais na esfera pública.

        Há muitos falsos dilemas a remover desse caminho. Um deles é o que opõe, em determinados círculos, Estado e iniciativa privada. Nenhum país atingiu alto grau de desenvolvimento baseando-se nessa falsa premissa. Ao contrário, os dois entes caminharam juntos, ignorando as futuras “lições de casa” que hoje tentam nos impingir com o argumento de que o papel do Estado é regulamentar e administrar conflitos, e o do “mercado”, promover crescimento econômico.
        O Brasil precisa de mais Estado, para assegurar a isonomia republicana e induzir o desenvolvimento, e de mais “Mercado”, para produzir riquezas que beneficiem toda a população.
        Sem crescimento, jamais sairemos da crise. A expansão da economia implica produção, emprego, salários, renda, impostos, divisas. Precisamos crescer para arrecadar mais e aumentar o investimento público.
        Sem recursos, não podemos investir na solução dos graves problemas sociais que desesperam amplos setores da população. Sem crescimento, não há recursos para as tarefas delegadas ao Estado, a começar da provisão dos serviços de saúde, educação, segurança e outras políticas públicas que resultem em efetiva consolidação da democracia e dos direitos sociais.

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