MICHAEL MOORE: Coringa


        Na quarta-feira à noite, participei do Festival de Cinema de Nova York e assisti a uma obra-prima cinematográfica, o filme que no mês passado ganhou o prêmio de melhor filme do Festival de Veneza. É chamado Coringa – e tudo o que ouvimos sobre esse filme é que devemos temer e ficar longe dele.
        Nos disseram que é violento, doente e moralmente corrupto. Fomos informados de que a polícia estará presente em todas as sessões neste fim de semana em caso de ‘problemas’.
        Nosso país está em profundo desespero, nossa constituição está em pedaços, um maníaco desonesto do Queens tem acesso aos códigos nucleares – mas por algum motivo , é de um filme que devemos ter medo.
        Eu sugeriria o contrário: o maior perigo para a sociedade pode ser se você não for ver este filme. A história que conta e as questões que ela suscita são tão profundas, tão necessárias, que se você desviar o olhar da genialidade dessa obra de arte, perderá o que ela está nos oferecendo.
        Sim, há um palhaço perturbado, mas ele não está sozinho – estamos de pé ao lado dele. Coringa não é um filme de quadrinhos. O filme se passa em algum lugar da década de 70 em Gotham/Nova York, a sede de todo o mal: os ricos que nos governam, os bancos e corporações a quem servimos, a mídia que nos alimenta com as notícias diárias que pensam que devemos absorver.
        Mas este filme não é sobre Trump. É sobre a América que nos deu Trump – a América que não sente necessidade de ajudar os marginalizados, os necessitados. A América, onde os ricos imundos ficam cada vez mais ricos e sujos.
        Obrigado Joaquin Phoenix, Todd Phillips, Warner Bros. e todos que fizeram este filme importante para este período importante. Quanto tempo se passou desde que vimos um filme aspirar ao nível de Stanley Kubrick? Vá ver este filme.



Michael Francis Moore é um documentarista, escritor, ator, diretor, roteirista e produtor americano. Estudou Jornalismo na Universidade de Michigan-Flint, mas abandonou a faculdade após um ano. É fundador da revista The Michigan Voice e foi diretor e apresentador do programa TV Nation da BBC, do programa The Awful Truth transmitido pelo Canal 4 no Reino Unido e na  Bravo nos Estados Unidos, além da série Michael Moore Live exibida também pelo Canal 4 britânico. Tem diploma honorário de Doutor em Humanidades pela Universidade Estadual de Michigan.

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