
Liberais de direita e liberais de esquerda (incluindo gente do PT e do PSOL) que estão reclamando do Leonel Brizola Neto — por ele ter feito moção de honra ao Kim Jong Un — estão na prática mostrando a união entorno da linha diplomática do Ernesto Araújo e do governo Bolsonaro.
São neoconservadores.
Vereador Leonel Brizola se encontrou com os diplomatas norte-coreanos e fez um gesto oficial para homenageá-los. Uma nota. Homenageou a paz, homenageou um grande sucesso da diplomacia norte-coreana, que todo mundo viu nos avanços da "cúpula histórica".
Trump e Kim Jong Un foram pensados como nomes para receber um Nobel da Paz conjunto; como Rabin, Peres e Arafat receberam pelas negociações de Oslo, em 1994.
No mesmo momento, os desinformadores do PARTIDO DA GUERRA nos Estados Unidos estavam lá dizendo que "Trump faz amizade com ditador", só porque defendem uma postura de agressividade contra os coreanos.
O vereador fez um gesto de alinhamento com os valores da paz internacional, da independência dos povos, da negociação, da multipolaridade e da oposição ao imperialismo. A Coreia é um país ameaçado por uma guerra nuclear.
O vereador respondeu o gesto deles de encontrá-lo com outro, um de respeito. O sistema político deles é aquele, o líder deles é aquele.
Quem achou ruim e está falando de "democracia e liberdade", se escandalizando, está sugerindo algo na linha da "Revolução" do Ernesto Araújo: uma política externa militante para "promover a democracia". Neoconservadorismo.
Não aceitam um contato respeitoso com os diplomatas de outro país, que considere que esse país tem uma história e civilização diferentes da nossa, mas que mesmo assim podemos compartilhar de alguns valores em um gesto oficial. Não, vocês acham que estão nos direito de fazer imposições e ofensas nesse contexto.
"Ah, mas é só a Coreia do Norte": a típica arrogância racista misturada com chauvinismo de brasileiro que se acha ocidental e pode desrespeitar país pequeno, querendo projetar isso na nossa política.
Veja, eu não sou um neutralista absoluto, mas o básico é isso. O que vocês defendem afinal? A República Popular Democrática não está invadindo o país de ninguém e nem é um regime de usurpação, ou um regime de discriminação institucionalizada. Pelo contrário, subscrevem valores internacionais que a maioria defende.
Esse foi um pequeno fato de um contato de um vereador com diplomatas, de um encontro de boa fé promovido pelo Lucas Rubio. Quem escandaliza está avançando a pauta do neoconservadorismo.
O que o vereador fez não tem nada a ver com os valores e com a provocação que o deputado paulista queria promover com um ato em homenagem a Pinochet. Aquele é um bolsonarista latifundiário que defende tanto a violência extrema dos pinochetismo como seu programa econômico (que são uma coisa só). Não tem nada de amizade com o Chile, pelo contrário, o bolsonarismo já arrumou problema elogiando Pinochet — e elogiam porque elogiam a Operação Condor, a Escola das Américas e o estilo violento mesmo. O bolsonarismo estava numa campanha de provocação promovendo Pinochet enquanto falava de AI5.
Não sei o que essa turminha ligada ao PT está falando besteira para atacar o vereador Brizola e o PSOL ao invés de, no mínimo, defender a doutrina diplomática do Lula e do Amorim.
Quanto a Luciana Genro e o Movimento Esquerda Socialista (MES), mais uma vez confirmam a sua vocação similar a de certos trotskistas dos Estados Unidos, que é a do neoconservadorismo, como fazem de maneira reiterada em questões de política externa.
Não é a toa que os palhaços que bateram palma para Macron agora fiquem "indignados". Outros, "gênios da política", contam uma vitória do Partido Democrata nos EUA (haha), achando que isso vai ser bom aqui. Aí a gente entende.
Não é impressionante que alguns mesmos que agora se levantam para falar mal do vereador Leonel Brizola Neto são os que defenderam a entidade sionista (amiga do Bolsonaro).
E vocês chamam isso de "fazer política", sejam responsáveis, olhem para a extensão dos fenômenos. E tem gente querendo falar de "erro tático" do vereador, vão saber o que é tática, esse tipo de esquerda é um erro estratégico.
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