LUCAS RUBIO: 50 anos da Revolução Verde Líbia

 


        O dia de hoje marca o 50º aniversário da Revolução do 1º de Setembro de 1969, a Revolução Líbia. 
        Nesse dia, há exatamente 50 anos, o Conselho de Comando Revolucionário da Líbia, liderado pelo jovem Coronel Muammar al-Gaddafi, removeu do poder o Rei Idris I e aboliu a monarquia. Ocorreu então a fundação da República Árabe da Líbia sob a consígnia "Liberdade, socialismo e unidade". 
        Muammar al-Gaddafi havia nascido em uma pobre família de uma tribo nômade do deserto líbio e frequentou a escola regular após seus pais investirem toda a economia familiar em seus estudos. Durante a juventude, Gaddafi ouviu muitas vezes discursos do líder egípcio Gamal Abdel Nasser, o que lhe inspirou o sentimento de unidade dos povos árabes, ou o pan-arabismo, que seria uma das grandes bandeiras ideológicas de sua vida. Ingressou em carreira militar e na década de 1960 começou a frequentar e disseminar células revolucionárias dentro das forças armadas que buscavam derrubar a monarquia. 
        A Líbia era um país com grandes riquezas, porém o povo sofria com a pobreza e o Rei Idris vendia o petróleo do país para os Estados Unidos e Europa. Além disso, Idris era uma liderança fraca e o país viva em péssima situação social e política.
        Após a tomada do poder em 1º de setembro de 1969, Gaddafi tornou-se o líder da Líbia e começou a implementar inúmeras políticas de nacionalização do petróleo e distribuição de riqueza. Durante seu governo, edificaram-se modernas cidades por toda a Líbia, foi estabelecido o ensino público gratuito, bem como sistema de saúde e foram gerados empregos.
        Em 2 de março de 1977, a Revolução Líbia passou por uma grande renovação com a assinatura da Declaração do Estabelecimento da Autoridade do Povo. Com isso, fundou-se a chamada Grande Jamahiriya Árabe Popular Socialista da Líbia. "Jamahiriya" foi um termo cunhado por Gaddafi e significa "Estado das massas". O grande guia teórico e prático da Líbia era "O Livro Verde", escrito pelo próprio Gaddafi. 
        Durante a existência da Jamahiriya Árabe Popular Socialista da Líbia, o país se tornou um dos mais ricos do mundo, com um bom aproveitamento das infinitas reservas de petróleo, e a Líbia saltou para o patamar de melhor Índice de Desenvolvimento Humano da África. Gaddafi também apoiou vigorosamente revoluções e movimentos de libertação por toda a África, Mundo Árabe e restante do mundo. Estabeleceu amizade e cooperação com países como a União Soviética, Cuba e a República Popular Democrática da Coreia. Apoiou a luta contra o apartheid na África do Sul e era um grande apoiador público da causa da Palestina.
        Internamente, o Estado pagava vários benefícios para os cidadãos, chegando a depositar diretamente em suas contas bancárias um valor mensal de participação nos lucros nacionais. Um dos projetos mais ousados do governo para a época foi o chamado "corredor verde do deserto": foram construídos, em pleno deserto, vários campos agricultáveis para abastecer o povo com comida.
        A Revolução Verde foi violentamente destruída pelos Estados Unidos e pela OTAN em 2011, quando Gaddafi foi assassinado durante a era das 'revoluções coloridas' da 'Primavera Árabe'. 
        Desde então, a Líbia tem sido praticamente uma terra de ninguém: não há Estado nem governo pois ainda há vários grupos, que foram apoiados pelo Ocidente em 2011, se digladiando pelo poder. Os índices de vida da população caíram vertiginosamente e até mesmo o comércio aberto de escravos voltou a ser praticado. O país segue também dividido em uma profunda guerra civil e atualmente grupos 'verdes' que reivindicam os feitos de Gaddafi e a Revolução Verde vêm alcançando cada vez mais territórios e apoio da população.

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