VLADIMIR CERRÓN: Pedro Castillo, Política e Magistério Peruano



        O líder magistral Pedro Castillo Terrones é o candidato presidencial do Partido Livre do Peru⁽¹⁾. O que significa a candidatura do professor à primeira magistratura do Estado? Há várias bordas de respostas.
        Castillo significa a posição mais esclarecida da esquerda peruana, aquela que prepara e organiza as bases populares, com uma mensagem simples, mas contundente, sobre o que o país deve ser. Representa a esquerda do Peru Profundo em oposição à esquerda de Paris.
        Simboliza a demanda magistral no mais alto nível de um professor historicamente agredido, de um grupo cansado de respirar bombas de gás lacrimogêneo, de receber pauladas e jatos d'água em greves, bem como de ser perseguido, processado e preso, sem receber mais do que algumas reivindicações salariais. Agora o magistério está no poder.
        A unidade do líder magistral não poderia ocorrer com outra organização que não fosse o Peru Livre, ele não poderia optar pelo Juntos pelo Peru⁽²⁾, uma vez que este partido é liderado pelo Pátria Vermelha⁽³⁾, um partido de trajetória política oscilante, que tem o reconhecimento legal do Estado neoliberal, mas carece de legitimidade nas bases. O Peru Livre, por outro lado, tem um programa de educação comprometido com a grande maioria.
        No magistério peruano há três blocos, o primeiro e a maioria é a FENATEPERU⁽⁴⁾, o segundo é o CONARE⁽⁵⁾ e o terceiro é o Pátria Vermelha. Entre os dois primeiros há críticas e contracríticas, mas também há consenso em identificar o terceiro como adversário comum, de modo que a unidade política entre os dois primeiros tem uma alta probabilidade de se tornar um único bloco eleitoral no momento da votação. Se essa circunstância não ocorrer, seria mais fácil para Pátria Vermelha fazer as leis do magistério peruano.
        O Peru Livre é um promotor da mudança da Constituição no país, por meio da Assembleia Constituinte, que pode ser corroborada por meio de seus escritos, discursos e entrevistas públicas, aspecto renunciado por outras tendências de "esquerda" que agora tomam a proposta quando veem que a dinâmica social a gerou. O Peru Livre é o único partido disposto a cumprir essa tarefa, não há outro, e Castillo assumiu essa alta responsabilidade.
        Finalmente, o que a vitória de Pedro Castillo se traduziria para o país? Destinar 10% do PIB à educação pública; proibir a privatização da educação pública; erradicar o analfabetismo entre 2,7 milhões de peruanos; garantir o acesso gratuito à educação superior pública universitária e não-universitária; repensar o currículo nacional, regional e local, de acordo com nossa realidade concreta; garantir psicólogos e dentistas para escolas públicas e privadas; endossar uma educação moderna, científica e de alta qualidade; aumentar os salários dos professores peruanos; entre outros anseios.
        Professores, pais, alunos e a sociedade em geral têm a palavra nesta oportunidade histórica.



NOTAS:

(1): Peru Livre é o Partido Politico Nacional Perú Libre, fundado em 2016. Tem Pedro Castillo como líder e se define como marxista-leninista-mariáteguista.
(2): Juntos por el Perú, uma coalizão política peruana entre partidos de esquerda pela luta contra o fujimorismo. Os partidos membros são o Partido Comunista Peruano, o Partido Comunista do Peru (Pátria Vermelha), o Movimento pelo Socialismo, o Partido Humanista Peruano e o Novo Peru. 
(3): Pátria Vermelha é o Partido Comunista del Perú - Patria Roja, o maior grupo marxista do país. Fundado em 1970, se define como marxista-leninista.
(4): FENATEPERU é a Federação Nacional dos Trabalhadores da Educação do Peru, a qual Castillo já foi secretário-geral.
(5): CONARE é o Comitê Nacional de Reorientação do SUTEP (Comité Nacional de Reorientación del SUTEP), um racha do Sindicato Unitário de Trabalhadores na Educação do Peru (Sindicato Unitario de Trabajadores en la Educación del Perú).



Vladimir Roy Cerrón Rojas é um médico neurocirurgião e político peruano. É graduado em Medicina e especializado em Neurocirurgia na Universidade de Ciências Médicas de Camagüey, em Cuba, e mestre em Neurociências e também doutorado em Medicina na Universidade Nacional de San Marcos. Além disso, cursou Engenharia Elétrica na Universidade Nacional do Centro do Peru e Engenharia Civil na Universidade Peruana dos Andes, interrompendo os estudos após o assassinato de seu pai. Fundou a Frente Patriota Peruana em 2006, o Movimento Político Nacional do Peru Livre em 2008 e o Peru Libertário em 2012. Foi governador de Junín de 2011 a 2014 e no ano de 2019, além de presidente da Assembleia Nacional dos Governos Regionais de 2011 a 2012.


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