
A vitória de Sayyid Ebrahim Raisi nas Eleições Presidenciais iranianas não foi uma surpresa, mas as sondagens e os resultados são muito significativos e enviam mensagens nacionais, regionais e internacionais.
Os números são significativos: Raisi obteve 18 milhões de votos dos 28 milhões expressos, independentemente da pandemia que continua a ameaçar todos os países e a causar uma redução da participação nas eleições. É digno de nota que o segundo lugar foi para outro candidato da “linha dura”, o ex-Comandante do IRGC — Corpo de Guardas da Revolução Islâmica — Mohsen Rezai, que obteve 3,4 milhões de votos. O terceiro lugar foi para o ex-presidente do Banco Central, Abdel Nasser Hemmati, que representou o peso dos reformistas, alcançando apenas 2,4 milhões de votos. O parlamentar conservador Amir Hossein Ghazizadeh Hashemi acabou com mais de um milhão de votos.
Estes números indicam que o povo iraniano que foi às urnas não favoreceu a chegada de outro reformista ao poder após o Presidente Hassan Rouhani. Pelo contrário, mais de 22,2 milhões (o total de votos dos eleitores de Raisi, Rezai e Hashemi) apoiaram a política que representa a Revolução Islâmica e a linha do Guardião da Justiça Islâmica, o Aiatolá Sayyid Ali Khamenei. Não há dúvida de que o Brigadeiro-General Qasem Soleimani é um parceiro na vitória de Raisi. O seu assassinato pelos Estados Unidos em Bagdá mobilizou milhões de iranianos apoiadores da Revolução e injetou sangue novo em seus corpos.
Virar de página
O ex-presidente Sayyid Mohammad Khatami, o guru dos reformistas, declarou que “os iranianos devem participar das eleições para evitar a imposição de uma regra de uma só corrente”. Ele pretendia impedir que o movimento “linha dura” por trás de Raisi assumisse a Presidência. Consequentemente pediu aos iranianos que apoiassem a candidatura reformista — sem declará-lo explicitamente — representada por Hemmati.
Os reformistas esperaram até às últimas horas do dia da votação para compreender em que direção as tendências eleitorais se deslocavam antes de pressionar o público e os potenciais abstencionistas para apoiarem Hemmati. Mohammad Javad Zarif — ministro dos Negócios Estrangeiros, que era muito popular antes da fuga de uma gravação na qual critica o Brigadeiro-General Qassem Soleimani e, consequentemente, a decisão do Aiatolá Khamenei de apoiar o Corpo Revolucionário da Guarda sobre a política externa — informara que aceitaria o mesmo cargo num Governo de Hemmati, de acordo com declarações do chefe da coligação reformista, Behzad Nabavi.
Apesar de todo o apoio e preparação do campo reformista por trás de Hemmati, este acabou derrotado também por Mohsen Rezai, que obteve mais um milhão de votos. Os resultados significam que uma maioria esmagadora dos eleitores apoiaram a linha do Imã Khomeini e da Revolução representada pelo seu sucessor, Sayyid Ali Khamenei. A escolha eleitoral para os próximos quatro anos confirma o fracasso da linha política reformista definida por Rouhani/Zarif, que perderam a face juntamente com sua reputação nestas eleições presidenciais.
Mensagem para Washington
Há, no entanto, muitos desafios internos e externos à frente do novo Presidente Raisi. A situação econômica sofrível sob as mais duras sanções que os Estados Unidos impuseram ao Irã nos últimos quarenta anos. O ex-Presidente Donald Trump aumentara as sanções para ultrapassar o limiar das 1.500. Entretanto, a mensagem eleitoral enviada aos Estados Unidos e seus aliados é clara, e inclui:
- O Presidente Joseph Biden enganou-se se esperava por um presidente reformista que rapidamente sucumbisse à pressão econômica e renunciasse à exigência de remover todas as sanções sem exceção; o novo Presidente iraniano é leal ao Líder Supremo e não cederá um centímetro nas decisões de Sayyid Ali Khamenei.
- Raisi é conhecido por apoiar a Guarda Revolucionária Iraniana. Consequentemente, os aliados do Irã receberão o apoio necessário que Rouhani lhes negou parcialmente nos últimos anos, sob o pretexto de “falta de orçamento”.
Quanto à conclusão destas eleições, um ponto deve ser levado em conta com seriedade. Ou os Estados Unidos levantam todas as sanções contra o Irã e aderem ao Acordo Nuclear, ou o Irã não cederá e todas as opções permanecerão sobre a mesa, inclusive a de o País se transformar num Estado nuclear em todos os sentidos da expressão.
Em relação aos aliados do Irã, a eleição de Raisi deu-lhes um reforço de oxigênio. Há poucas dúvidas de que os aliados do Irã — principalmente no Líbano, Síria e Iraque — estão agora se prepararando para desenvolver ainda mais a sua oposição à presença dos Estados Unidos na região.
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