
Cidadãos da República de Donetsk!
Vim lhes pedir algo: ergam-se em defesa da Pátria, suas casas, famílias e povo. Devo pedir algo impossível de exigir pelas medidas humanas, pois defender país e liberdade na Mãe-Rússia é tarefa honrosa, sempre avidamente atendida pelos que se julgam varões.
Entretanto, preciso lhes dizer a verdade. Direto na cara! São palavras duras, que talvez ofendam a dignidade de vocês: há mais de um mês nosso pequeno grupo de voluntários da Rússia e da Ucrânia, em socorro aos chefes manifestantes que vocês promoveram, chegou encarando em armas o exército ucraniano e uma enorme gentalha mercenária louca por dinheiro.
O mês passado inteiro ficavam nos pedindo: "Deem-nos armas para defendermos a liberdade, o direito de usar a língua russa e honrar nossos heróis de 45 e não os servos dos nazistas!". Em resposta tomamos armas de depósitos e tropas ucranianas ou compramos no mercado negro a preços enormes. Agora temos armas. Não no fim da retaguarda - Donetsk, Lugansk, Makeevka, Shakhtarsk ou Antratsyt -, mas na linha frontal, na Sloviansk sitiada, em Kramatorsk, Kostiantynivka. Aqui, onde mais urgem! Com os que cobrem o resto do Donbass - incluindo Donetsk e Lugansk. E aqui, em torno de Sloviansk e Kramatorsk, Krasny Lyman, Kostiantynivka, onde estão nossas guarnições, Kiev juntou forças mais ativas e extensas.
E, ao lado, dois terços da tropa punitiva e o estado-maior da "operação antiterrorista". E eis que o cidadão de Donetsk apto a usar armas e a mirá-las contra os inimigos de seu povo pode vir recebê-las em mãos e se unir aos voluntários para expulsar as tropas punitivas. Mas o que vemos? Tudo, menos ondas de voluntários às portas de nossos estados-maiores. Em Sloviansk moram 120 mil. Em Kramatorsk, o dobro. Só na província de Donetsk vivem 4,5 milhões. Sim, nem todos os homens têm idade para combate. Nem todos são saudáveis ou livres de tarefas destinadas à subsistência. Muitos têm deveres familiares ou de outra natureza. Mas não pensava não virem em toda a província nem mil homens pronto a lutar, não na sua cidade, numa barricada do lado de casa, a meio dia de carro do "guarda nacional" mais próximo, mas na linha de frente, onde atiram todo dia.
Eis a verdade. Para não soar mentiroso, vou dar exemplos. Há 3 dias vieram 12 "heróis" de Artemivsk recomendados por alguém estimado. Sabendo que já agiriam em Sloviansk e não em Artemivsk natal, e que ficariam muitos dias, nem quiseram pegar as armas. Ontem a história se repetiu. 35 "voluntários" de Donetsk ouviram os ruídos de morteiros ao longe e souberam que por 3 dias não podiam ir para casa com as armas, e 25 deles voltaram felizes aos lares. Talvez queixar-se das "duras condições" sem sequer vivê-las mostra seu heroísmo, visto no trajeto de ônibus de viagem. Longe de serem casos isolados, ocorrem-nos com frequência.
Ainda na Crimeia, tive de ouvir dos ativistas populares que "se rebelados, os mineiros matarão todos com as mãos!". Talvez isso fosse no passado, mas ainda não é o que se vê.
Dezenas e centenas vão à luta. E centenas de milhares veem tudo na TV, de latinha na mão. Talvez esperem que os irmãos russos mandem um exército capaz de fazer tudo por eles ou enviem alguns voluntários descabeçados prontos a morrer pelo direito deles de viver melhor do que sob os 23 anos de governo dos nacionalistas ucranianos. Cadê os 27 mil voluntários de que falam os jornalistas? Não estou vendo. Gabar-se às mulheres de casa admiradas: "Estou na milícia!" é tudo que sabem fazer?
Aos voluntários se juntam cada vez mais homens "longe dos 40" crescidos e educados ainda nos tempos da União Soviética, mas quase nenhum jovem. Onde estão os rapazes saudáveis? Nas "brigadas" bandidas que, tendo percebido a anarquia correram "expropriar os expropriadores" e alvoroçar pela província de Donetsk? Sim, obtemos notícias diárias de suas "façanhas". E muitos falsos "milicianos" pedem armas antes de tudo para defender as próprias casas de bandidos. Entendo esse desejo. Mas os comandantes da milícia devem adquirir: quem vem pedir armas? Gente séria ou ladrões comuns disfarçados de "patriotas de Donetsk"? Nossa resposta é simples: só será reputado "miliciano" quem compor direta e pessoalmente uma subdivisão em combate contra as tropas da junta! Onde e quando os comandantes acharem necessários. Pois sem disciplina, não haverá nada! Nem vitória e nem ordem.
Se todos "combatem" onde e quanto querem ou convém, a milícia de Donetsk degenera em algo entre uma corja desertora dissoluta e um bando reacionário cego. Não será isso! Só a quem mostrar combater bem o inimigo e realizar outras missões de combate deixaremos pôr ordem na própria casa integrando a milícia! E imporemos ordem, não duvidem! Os que hoje "encobrem" lojas e empresas, traficam drogas e simplesmente assaltam gente indefesa não esperem que "as regras do jogo serão as mesmas" ou que "a guerra perdoará tudo". O Donbass Bandido" acabou!
O novo poder permitirá a todos renunciar à criminalidade, mas quem não quiser, receberá a resposta merecida. E não haverá dinheiro que a burle! Não sob as leis de guerra!
Volto ao principal. A terra de Donetsk precisa de defensores e a milícia, de voluntários disciplinados. Se os homens não prestam, venham mulheres. A partir de hoje [18/05/2014] emiti ordem de aceitá-las na milícia. Pena não haver nenhuma oficial mulher na ativa ou na reserva. Mas que diferença faz, se nenhum oficial homem nos vem? Não achamos ainda na província nem 20 militares profissionais querendo comandar subdivisões de combate! É uma vergonha!
Há duas semanas peço que venham o chefe do estado-maior e ao menos uns cinco chefes de companhias e pelotões. E nada! Soldados e sargentos da reserva guiam minhas divisões. Alguns comandam bem, mas no decorrer se sente a falta do saber militar necessário. Bem, aprenderão com o tempo. Mas advirto: nenhum desses "oficiais" empoleirados em seus apartamentos como pardais fugindo da chuva e não tendo ocupado seu posto na milícia, jamais será a nossos olhos considerado oficial! E difundir nossa visão também, entre os cidadãos simples, será outra tarefa.
Talvez em poucos dias as ações de combate, por enquanto não tão cruéis, atinjam a dimensão de uma luta real com dezenas e centenas de mortos e feridos. O inimigo recua, mas ainda é muito forte! Tem o apoio de oligarcas dispostos a pagar fortunas por cada assassinato, casa destruída ou crime contra o povo russo! Vencê-lo exige lutar.
Quem pode me ouvir e mostrar devoção a sua terra e povo, venha a nossos estados-maiores em Slovyansk, Kramatorsk, Krasny Lyman, Kostiantyanivka, Horlivka. Os chefes que nomeei formarão aí subdivisões de reserva, instruirão e os mandarão ao exército ativo conforme sua preparação. E mesmo parecendo ainda uma guerrilha pequena e disforme, ele luta e vencerá!
Caminhando se faz o caminho!
Deus e a Verdade conosco!
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