PADRE AFONSO LOBATO: Monteiro Lobato — Um Homem à Frente de Seu Tempo


        No dia 18 de abril lembramos mais um aniversário de José Renato Monteiro Lobato, que, por sua própria decisão alterou o nome para José Bento, no desejo de usar a bengala do avô gravada com as iniciais J.B.M.L.
        Quando menino era chamado de Juca nas brincadeiras com suas irmãs menores Ester e Judite. Naquele tempo não havia brinquedos sofisticados, eram toscos, feitos de sabugos de milho, chuchus, mamão verde, etc. Sempre com a língua afiada, dizendo o que pensava agradasse ou não, o mais ilustre dos filhos de Taubaté, defendeu sua verdade com unhas e dentes, contra tudo e todos, sem medir as consequências. Tanto, que em 1931, ao voltar dos Estados Unidos, pregou a redenção do Brasil pela exploração do ferro e do petróleo. Lobato lutou pelo nacionalismo e pelas coisas do Brasil, o que acabou levando-o à pobreza, doença e desgosto, pois havia o interesse oficial em se dizer que no Brasil não existia petróleo.
        Perseguido e até preso por suas ideias nacionalistas deu prova de seu amor pelo que é nosso, mas decepcionado com o mundo dos adultos, lançou-se no universo da literatura infantil. Passou a defender suas ideias através de "parábolas" vividas pelos personagens, principalmente pelas falas de "Emília" e "Visconde de Sabugosa".
        Atento à preservação cultural, lembramos um estudo que Lobato fez sobre o mito Saci Pererê para o jornal "O Estado de S. Paulo", em 1917, resultando no livro homônimo, em 1918, e em outra obra em 1921, intitulada apenas "O Saci". Lobato já vislumbrava que o Saci não é a figura mal interpretada como "filho do capeta, do "encardido", mas que na realidade representa a figura do verdadeiro brasileiro, resultado da miscigenação do índio, o negro e o branco.
        Nesse sentido, tivemos a sorte de ter aprovado pela Assembleia Legislativa projeto — agora lei nº 11.669 — criando em todo o Estado o "Dia do Saci", tomando como referência iniciativa de São Luís do Paraitinga, além de ter incluído a data no calendário turístico do Estado de São Paulo, comemorado anualmente em 31 de outubro. Com isso, enaltecemos e revitalizamos as ideias de Monteiro Lobato, além de reconhecer e aplaudir a iniciativa luizense de combater a invasão da cultura estrangeira. Desta forma, em contraponto à invasão da cultura norte-americana, divulgada através da festa do "Halloween" ou Dia das Bruxas, que é comemorada na mesma data, criamos o Dia do Saci.
        Reforçamos a necessidade de despertar no brasileiro e no homem valeparaibano, o nacionalismo que sempre permeou a vida de Monteiro Lobato. O Dia do Saci é uma porta para resgatar e fortalecer a cultura nacional e regional. Prestamos assim, nossa homenagem ao incomparável escritor Monteiro Lobato, homem que sempre olhou à frente do seu tempo e que, certamente, já previa a ameaça de nosso folclore pela cultura estrangeira quando pesquisou e fortaleceu o mito do "Saci".


José Afonso Lobato é um padre, filósofo, teólogo, advogado e político brasileiro. Sacerdote há cerca de 30 anos, é membro do clero da Diocese de Taubaté. Graduou-se em Filosofia na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), em Teologia na Faculdade de Teologia dos Padres do Sagrado Coração de Jesus e em Direito na Universidade de Taubaté (UNITAU). Efetuou seu Seminário em Turvo, no estado de Santa Catarina, passando a integrar a Congregação Missionária dos Servos dos Pobres. Em 1987, ordenado diácono, lecionou Filosofia no Seminário Diocesano de Taubaté e Formação Humana no Colégio Municipal. Em 1988 foi ordenado padre, assumindo a Paróquia da Santíssima Trindade da Diocese de Taubaté. Foi membro da Pastoral Carcerária e presidente do Conselho da Comunidade da Comarca de Taubaté. Filiado ao Partido Verde (PV), foi eleito deputado estadual do estado de São Paulo pela primeira vez de 2002, sendo reeleito sucessivamente até os dias atuais. É atualmente vice-presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo.

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