
Num mundo onde há multas e suspensões para quem use o esporte para apoiar a causa palestina (ver o exemplo da torcida organizada Green Brigade do Celtic ou do judoca Fethi Nourine), Zozulya fazia normalmente a sua carreira como jogador profissional de futebol, sendo conhecida a sua filiação a movimentos neonazistas e fascistas.
Desde a sua admiração pelo líder dos colaboracionistas ucranianos, Stepan Bandera, à associação com a torcida organizada neonazista White Boys do Dnipro, e tendo mobilizado e dado apoio ao Batalhão Azov e Pravyi Sektor, a filiação de Zozulya nunca pareceu incomodar direções de clubes e federações do futebol e outros esportes. Revelado pelo Dínamo de Kiev, rumou depois para o Dnipro, onde assumiu maior protagonismo, enquanto vestia a camisa da seleção nacional, e foi transferido em 2016 para o Real Betis, histórico clube andaluz.
Não fosse a sua incapacidade de se afirmar no Betis, Zozulya teria uma carreira normal, paralela à sua atividade pública de extrema-direita, financiando as operações de gangues neonazistas com o seu salário ganho através do futebol. Infelizmente para ele, a normalidade ficou posta em causa, quando os alviverdes ditaram o seu empréstimo para o Rayo Vallecano, onde teve que lidar com uma peça fundamental do futebol que ainda não se tinha feito ouvir.
"Football without the fans is nothing", Jock Stein.
Esta citação do lendário treinador do Celtic diz muito sobre o episódio que se seguiu depois do anúncio da ida do ucraniano para Vallecas. Os adeptos deste clube, fortemente implantado junto da população deste bairro operário de Madrid, repudiaram fortemente a vinda do jogador, iniciando uma campanha para impedir que jogasse pela equipe, que incluiu o boicote aos treinos. A pressão feita pelos adeptos (e os seus Bukaneros) forçou a direção a anular o contrato.
A anulação deste negócio acabou por impedir Zozulya de jogar durante o resto da temporada de 2016/17, deixando de ser convocado para a seleção. Acabou dispensado pelo Real Betis, e encontrou lugar no Albacete, tendo pela primeira vez que jogar fora das primeiros escalões do futebol. Apesar disso, o sucesso da campanha de denúncia expôs a sua ligação à extrema-direita perante os todos os adeptos de todo o mundo. Mesmo na 2.ª divisão espanhola, o ucraniano tornou-se alvo preferido dos adeptos adversários. Afastado definitivamente da seleção, qualquer tentativa de recuperar uma carreira normal se esfumou.
Tendo o Albacete sido rebaixado este ano, Zozulya procura uma nova casa. A semana passada, foi anunciado que o atacante rumaria ao Estoril Praia. E novamente, o maior adversário de Zozulya não é Donnaruma ou Van Dijk, mas os adeptos. Imediatamente após o anúncio, a reação dos estorilistas foi de oposição à vinda do jogador. No domingo, foi anunciado que estava em rumo, não ao campeonato português, mas à terceira divisão espanhola, cimentando mais um passo para a irrelevância esportiva de um jogador que outrora parecia destinado a ser uma das referências do futebol ucraniano.
Em tempos onde muito se debate sobre de que forma se combate a ascensão do fascismo, sobre a sua normalização, o caso de Roman Zozulya dá algumas luzes. Zero espaço para o fascismo, zero espaço para o nazismo! Citando o Comandante Durruti: o fascismo não se discute, se destrói.
Comentários
Postar um comentário