Na semana passada o ex-juiz Sérgio Moro anunciou sua filiação ao Podemos (PODE) e sua pré-candidatura à Presidência da República em 2022.
A imprensa golpista deu bastante destaque ao caso, com direito a uma capa da Veja daquelas bem cafonas, elogiando o ex-juiz como o provável salvador da Pátria.
Outros órgãos da imprensa golpista também repercutiram a candidatura. Trata-se de uma terceira via, segundo a propaganda, “nem Lula, nem Bolsonaro”, ou seja, é a candidatura anti-Lula — Moro é o delinquente que prendeu Lula —, como Bolsonaro, defendendo tudo o que Bolsonaro defende, engajado a fazer tudo o que Bolsonaro fez, mas não é Bolsonaro.
Difícil saber se Moro será usado como uma candidatura cuja função é retirar votos de Bolsonaro e atacar Lula, para beneficiar o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), ou se será o plano A da burguesia.
Fato é que sua candidatura explica uma espécie de revival (ler com inglês 'morista') da Lava Jato, que a própria Veja, tempos atrás, tinha dado como morta. Isso explica porque a PEC 5 (Projeto de Emenda à Constituição nº 5 de 2021), que pretendia limitar timidamente os poderes do Ministério Público, foi rejeitada, inclusive com ajuda e comemoração do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).
A política dos que defendem a Lava Jato, incluído aí o próprio PSOL, é dar poder ao povo? Não, mas aos procuradores criminosos. Moro já deve estar articulando seu ministério com eles, só não sabemos se por grupo de WhatsApp ou se decidiram usar o Telegram agora.
Moro presidente terá um governo de procuradores, não sabemos se brasileiros ou norte-americanos. E na mesma lógica da Lava Jato, se temos um juiz iluminado e procuradores angelicais não precisamos de mais nada. Que povo que nada, o Brasil estará em boas mãos.
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