Era uma vez uma organização chamada Organização do Tratado do Atlântico Norte, ou OTAN. Ela foi fundada em 1949, e hoje consiste de um grupo de 30 países da Europa e da América do Norte. A OTAN supostamente existe para proteger os povos e territórios de seus integrantes. Dos 30 países membros, 28 estão na Europa e apenas dois, os EUA e o Canadá, estão nas Américas.
Faz parte da “Política de Portas Abertas” da OTAN, que qualquer país da área euro-atlântica é livre para aderir à OTAN se estiver preparado para cumprir as normas e obrigações da adesão, contribuir para a segurança da Aliança e compartilhar os valores da OTAN de democracia, reforma e Estado de Direito. Isso é parte do que ditam as regras da Organização.
Desde 1949, a OTAN cresceu de 12 para 30 membros. Em 2020, recebeu a Macedônia do Norte como o 30º membro da Aliança.
A OTAN foi criada pelo Pentágono em estreita colaboração com a CIA, após a Segunda Guerra Mundial, sob o pretexto de proporcionar “segurança coletiva contra a ameaça representada pela União Soviética”. Assim, a lançou as bases para enganar o mundo e fazer crer que a União Soviética — tendo acabado de perder cerca de 30 milhões de pessoas na Segunda Guerra Mundial e com uma infraestrutura destruída — seria uma ameaça para a Europa. Mas a Grande Maravilha, a propaganda enganosa da mídia funcionou, como faz hoje com a COVID, e como faz na maioria das vezes, atualmente traçando mais uma guerra quente fadada ao fracasso.
O alarmismo é parte da estratégia. Para tudo. Mantenha as pessoas com medo e elas são vulneráveis a qualquer tipo de manipulação. Este é um velho axioma, que remonta a tempos ainda mais longínquos que o Império Romano. E ainda funciona. As pessoas ainda não descobriram isso — ainda.
Quando isso acontecer — isto é, quando as pessoas enxergarem por trás desta farsa, por trás do blefe, o mundo vai mudar. De repente — ou gradualmente, mas cada vez mais rápido — vamos perceber que o poder está conosco, o povo.
As pessoas de bem, especialmente nos EUA e na Europa, que vivem no casulo de uma “zona de conforto”, acreditam em tudo o que lhes é dito pelas autoridades, e por extensão — pela mídia corporativa. Estas pessoas obedecem às autoridades, porque afinal, por que pensar por si mesmas, se você paga a um governo que, supostamente, pensa por você — certo? Quanto melhor estiverem, melhor podem ser escravizadas — e o que é pior, elas se tornam inflexíveis, teimosas e certas de si. Elas se comportam exatamente como as “autoridades” querem que elas se comportem para transformar a sociedade em uma tirania, ainda sob o pretexto de “nós somos uma democracia”. E sim, enquanto continuarmos dessa forma, estaremos condenados.
A OTAN deveria ter nos ensinado uma boa lição. Mas se não fosse a Rússia e a China, ainda estaríamos de joelhos para agradar a OTAN, nem mesmo percebendo que se trata apenas de uma miragem, não tem poder e tudo o que lhes resta são algumas pessoas pomposas no topo e no meio, que adorariam continuar apenas por um pouco mais de tempo mantendo o controle sobre a Europa e — bem, eles gostariam de acreditar — sobre o resto do mundo.
Um dos princípios fundamentos da OTAN é o Artigo 5 de sua Carta, que afirma que um ataque armado a um país-membro seria considerado um ataque a todos; insinuando uma ameaça de que a OTAN poderia começar uma Guerra Mundial se um país agredido e provocado o suficiente pela OTAN — como digamos, a União Soviética, agora Rússia e/ou China — retaliasse as agressões e provocações constantes feitas pela Organização.
Isso era a OTAN na época, e isso é o que a OTAN gostaria de ser hoje, e o que ainda fingem ser. Mas fingir é praticamente tudo o que são capazes de conseguir neste momento. Fingir é apenas mais uma palavra para “nada mais a perder” (citação da música “Me And Bobby McGee”, de Janis Joplin: “Freedom is just another word for nothing left to lose”). Isso é a OTAN no seu pior.
Por alguma estranha razão, até muito recentemente, a Rússia permaneceu em um status de observador associado à OTAN. É difícil de acreditar, associado ao arqui-inimigo número um? A única provável explicação poderia ser que, preservando esse status de observador, pensavam que também eram uma espécie de informante — mas, isso foi uma ilusão desde o primeiro dia.
Em uma nota sobre o tema, para se entender melhor o lugar e o objetivo da OTAN, diante da crescente pressão para dissolver os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU, o Presidente Putin advertiu em 21 de outubro de 2021: “Se o direito de veto dos membros permanentes for retirado, a ONU morre no mesmo dia — ela se tornaria a Liga das Nações. Simplesmente uma plataforma de discussão”.
Existe a possibilidade de que o Conselho de Segurança da ONU com cinco votos de veto — por mais frágil que seja — venha a desmoronar. Neste caso, os “gênios” por trás da OTAN podem pensar que assim a OTAN poderia assumir o papel do Conselho de Segurança da ONU, tudo no interesse do putrefaciente Império ocidental.
A OTAN foi criada em 1949, logo após a Segunda Guerra Mundial, tendo muito em mente a Liga das Nações. Criada em 1919, logo após a Primeira Guerra Mundial, a Liga das Nações foi um embuste (hoax) imperial, fingindo e vendendo seus interesses de paz mundial a um mundo derrotado pela Primeira Guerra Mundial como a última e maior esperança de “paz duradoura”. Hoje, no entanto, já conhecemos a verdadeira história.
Avançando rapidamente. Como bem analisa a RT em 25 de outubro de 2021, “o novo plano da OTAN para lutar contra a Rússia nos mares, nos céus e no espaço pode ser um tiro pela culatra, provocando um conflito nuclear catastrófico. A nova estratégia da OTAN para combater a Rússia em toda a Europa — do Báltico ao Mar Negro — foi aprovada. Sem surpresas, os detalhes são secretos, mas os oficiais do bloco confirmaram que inclui guerra nuclear, cibernética e espacial. […] Como seria de se esperar, a OTAN insiste que esta estratégia transcontinental servirá apenas para fins defensivos e o grupo liderado pelos EUA também enfatizou que não acredita que os ataques russos sejam iminentes. Em outras palavras, a OTAN apresenta esta iniciativa como um ato de due diligence: Preparando-se para o pior cenário imaginável, ao mesmo tempo em que ajuda a evitar por dissuasão que ela se torne uma realidade, como a ministra alemã da Defesa, Annegret Kramp-Karrenbauer, devidamente sublinhou”.
Em outras palavras, apesar do que foi dito e prometido durante a recente campanha eleitoral alemã, para manter uma porta aberta para melhorar as relações com a Rússia, tudo foi jogado pela janela com a declaração da ministra da Defesa alemã. O argumento da “dissuasão” é uma agressão pura e simples à Rússia. Certamente agrada a OTAN e grande parte da liderança neoliberal do Ocidente, mas certamente não uma grande maioria de alemães e cidadãos europeus, que estão ansiosos para melhorar as relações com um vizinho pacífico.
É a máquina do medo espalhando desinformação — a mídia ocidental amplamente paga e “subsidiada” — que faz acreditar que o perigo está no leste. De fato, eles continuam construindo e mantendo um muro maniqueísta desta visão por todo o Ocidente. A filosofia maniqueísta é uma antiga religião que decompõe tudo entre “bem” e “mal”. Ela também significa “dualidade”, portanto, se seu pensamento é maniqueísta, você vê as coisas em preto e branco. E é exatamente isso que o Ocidente está fazendo. É uma filosofia renascida de Washington. A propaganda maciça da Guerra Fria se espalhou durante as quatro décadas após a Segunda Guerra Mundial por toda a Europa e, por extensão, por partes da Ásia e da América Latina.
A OTAN está disseminada em todo o mundo — pegue as muitas bases militares diretas ou emprestadas no Mar do Sul da China, e as bases terrestres em torno da China e da Rússia (cerca de 3 mil bases) — pensando em como poderiam ser eficazes contra o mais recente armamento de última geração da Rússia e da China. Nenhum dos dois países está se vangloriando com “dissuasores”. Eles não precisam fazer isso.
Eles sabem que o Ocidente, especialmente a Europa, pode acordar para a dura realidade — de que o futuro é onde o sol nasce, no Oriente.
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