ELIAS JABBOUR: A hora da verdade aos “movimentos”



        Estou a vibrar com a derrota do fascismo no Chile. Mas meu olhar é daquele interessado nas pautas estratégicas, que as esquerdas que chegam a postos de governo e poder, tem a oferecer. Sou de uma corrente política (marxismo-leninismo) que tem sua forma de organização posta em cheque, a todo momento, em torno do “novo” que surge sob forma de movimentos populares difusos com amplo protagonismo de movimentos juvenis, de mulheres e de parcelas oprimidas das sociedades. Até aí tudo bem.

        Os marxistas-leninistas não têm de provar nada a nenhum desses “movimentos”. Governamos a segunda economia do mundo (China), além de experiências de sucesso como o do Vietnã. A luz da 3ª Internacional sustenta politicamente a resistência cubana. 

        A vitória de Boric é um baita desafio. Infelizmente, a questão democrática não é um fim em si mesmo. Muito menos as questões das opressões. O Chile está em uma profunda crise econômica e palavras de ordem não servem absolutamente para nada a partir de agora. Estou torcendo e muito apreensivo em relação às ideias econômicas de Boric e de seu movimento. Uma Previdência Social pública, Saúde e Educação universais não caem do céu. Sem uma poderosa estrutura produtiva industrial nenhuma dessas promessas são capazes de se realizar.

        O desafio chileno a partir de hoje é discutir questões de fundo. É importante colocar acento na questão democrática, paridade e direitos humanos. Mas chegou a hora da verdade. Os “movimentos” terão que pensar em termos de desenvolvimento das forças produtivas políticas industriais e mudança estrutural. Levar o Chile a uma condição de não depender de preços determinados fora do País. Geopoliticamente, o que pensam? Se juntarão aos movimentos e intelectuais (financiados pela Open Society, Fundação Ford etc) que atacam a presença da China na América Latina ou terão visão estratégica suficiente para observarem o papel da China no mundo e sua oferta de uma globalização baseada na exportação de bens públicos e desenvolvimento econômico. Enfim, acabou a festa. A margem para erro é muito pequena.

        Os leninistas governam há cem anos com erros e acertos. Atualmente mais acertos que erros. Vejamos como se comporta o “novo” que aparece no Chile. Para distribuir é preciso produzir. Deixem de olhar para a Europa. Olhem para os comunistas asiáticos.

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