ELIAS JABBOUR: A obra não para — Novos desafios teóricos ao socialismo do século XXI


        Não entenderemos os desafios que envolvem uma visão racional e terrena sobre o socialismo em nosso tempo sem nos rendermos às evidências de que as ciências sociais no Ocidente passam por uma profunda crise e o marxismo talvez seja o campo de pensamento onde essa crise é sentida com mais profundidade.
        Socialismo não é check-list e não pode ser compreendido nos marcos de uma ação guiada pela moral e suas categorias transcendentais. Socialismo é modo de produção, está se constituindo enquanto tal na medida em que suas primeiras regularidades e coerência interna distintivas começam a aparecer precocemente na China. A “Nova Economia do Projetamento” é uma tentativa de síntese desta percepção. 
        O livro que lançamos, eu e Alberto Gabriele, é um passo inicial nessa jornada de força e coragem em torno do desafio de um balanço histórico do capitalismo e do socialismo desde a século passado. Se o fim das primeiras experiências socialistas não significou o fim da história, ele engendrou restrições imensas ao desenvolvimento de formações econômico-sociais não capitalistas. A vida é mais dura do que qualquer manual, desejo humano ou visão lastreada pela pequena-burguesia acadêmica “radical”. Nosso empreendimento intelectual não para com este livro.
        Desafios teóricos são colocados na mesma proporção em que conceitos vão se manifestando no movimento real que tem sido o desenvolvimento das forças produtivas na República Popular da China. 
        Heterodoxos propalam a não separação entre Estado e mercado. Mas a raiz do estudo das relações entre Estado e mercado já vem com o pressuposto da separação embutida no pensamento. Minha tendência é compreender ambos como uma unidade. A unidade de contrários seria entre o produto da fusão entre Estado e mercado e a lei do valor. Esse é um ponto a se tocar. A lei do valor como variável-chave ao processo de elevação da produtividade. Desafios teóricos não param aí. Não é o caso de estender o raciocínio da fusão entre Estado e mercado à planificação e o mercado?
        Tecnologias disruptivas como o 5G e a inteligência artificial e o computador quântico não colocaram fim à suposta contradição entre planejamento e mercado?

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