“A estratégia dos EUA para ‘consertar’ a Rússia na Europa, impondo ‘sanções esmagadoras’ para depois atacar a China, está fracassando. Isso acontece porque foi totalmente mal concebida”⁽¹⁾.
Estratégia é uma palavra da moda entre os políticos e jornalistas porque é uma palavra “carregada” e dá uma impressão de alguma coisa realmente misteriosa e descolada. A estratégia como um “plano” para alcançar objetivos políticos em qualquer coisa. Entretanto, no campo da geopolítica prática da segunda metade dos séculos XX e XXI, a estratégia é um pouco mais do que um “plano”. Assim como nas campanhas militares, ninguém pode se tornar um “estrategista” sem ter experiência tática e operacional, e é por isso que toda educação militar avançada no mundo está estruturada no objetivo de elevar um oficial do nível de pensamento tático, para o nível operacional e, então, para o nível estratégico, fornecendo assim um eixo em torno do qual irão girar todas as decisões estratégicas, com contribuição dos níveis tático e operacional. Não é assim que a “ciência” política moderna e o que se passa por “tomada estratégica de decisões” funcionam no Ocidente.
A geopolítica moderna, primariamente como o reino do poder bruto dos Estados projetado contra o pano de fundo geográfico, é desconhecida da classe governante ocidental. Ela não pode ser conhecida devido a uma radical falta de compreensão dos instrumentos que ditam a realidade geopolítica — economia física e militar. Estes campos SÃO muito complexos e, em algum momento, a “elite intelectual” do Ocidente, cresceu e cresce dentro dos limites dos departamentos de “humanidades” da Ivy League dos EUA e das antigas instituições educacionais do Reino Unido, ficou simplesmente sem conhecimentos especializados, os quais já faltavam mesmo no fim do século XIX. No século XXI, explicar a Vicky Nuland ou a Jake Sullivan o que é topologia de redes de combate (concedendo que lhes é ministrado o curso básico de Teoria dos Grafos) e como ela é não menos importante do que o poder de fogo bruto, é uma missão impossível e um exercício de futilidade.
Mas esse é apenas um pequeno segmento, dentre muitos outros, da realidade moderna a qual é mais importante para a geopolítica prática e o equilíbrio global do poder do que opiniões pessoais de pessoas incompetentes com nenhuma experiência no desenvolvimento de estratégias reais de desenvolvimento e governança. E são esses e muitos outros fatores, e não alguns conceitos políticos abstratos, que conduzem as modernas estratégias reais. As “elites” dos EUA não fazem estratégias, elas fazem uma estratégia e doutrina de intimidação que existe apenas em um mundo virtual de paixões pessoais analfabetas, vinganças e ambições, e os resultados de tais “estratégias” são impressionantes — os EUA estão sendo dirigidos por pessoas que literalmente não sabem como o mundo funciona. Leiam o excelente texto de Bernhard. Ali se explica como tais “estratégias” fracassam. Os EUA precisam de melhores “estrategistas”, não de mercenários políticos que operam “estratégia” sobre um quadro em branco que falham repetidamente porque estão desligados da realidade. Mais uma vez, isso nos leva à questão mais ampla de se as “elites políticas” dos EUA estão à altura da tarefa. A resposta é óbvia — elas não estão.
NOTAS:
(1): HOW A MISGUIDED GRAND STRATEGY LED TO THIS U.S. DEFEAT. Moon of Alabama, 2 de fevereiro de 2022. (Acesse).
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