“Me encontrarão onde sempre estive: no centro de todos os debates que envolverem o interesse nacional.”
— Leonel Brizola
Em meio às comemorações e análises referentes ao centenário do nascimento de Leonel Brizola, evidenciamos seus grandes feitos, suas ideias e sua trajetória.
Dentre as louvações das mais diversas correntes políticas, há um evento que necessita ser pautado: o fato de Brizola não ter chegado à Presidência da República.
À luz da historiografia, não há como negar que Brizola sofreu um veto, cuja determinação não fora decidida por quem fala português, embora as elites tupiniquins vassalas aos interesses internacionais agissem conforme os ditames do imperialismo norte-americano.
Sim, Washington jamais permitiria que Brizola fosse presidente. Os locatários da Casa Branca, sempre monitoraram Brizola e agiram o quanto puderam para obstaculizar sua ascensão à Presidência.
Vastos relatórios das agências de inteligência, assim como testemunhos, livros etc. relatam o monitoramento e as preocupações sobre Brizola.
Fruto fecundo do queremismo na década de 1940, Brizola herdou a conceituação mais genuína sobre soberania nacional. Para ele nada era mais sagrado do que os interesses pátrios.
Aliás, o trabalhismo de Getúlio, Jango e, consequentemente, de Brizola, sofreu diretamente com as ações engendradas pelos ianques.
Getúlio Vargas, que ousou criar a Petrobrás, foi levado ao suicídio — as digitais americanas na desestabilização nacional durante a Era Vargas são incontestes. Jango enfrentou o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD); todos financiados com dólares americanos, sem contar a ação direta do embaixador Lincoln Gordon, e assim sofreu o golpe.
Esses fatos demonstram que o trabalhismo brasileiro sempre sofreu com a oposição dos EUA e que o Golpe de 1964 foi, de fato, um golpe contra essa corrente de pensamento.
Com Brizola não seria diferente. Até porque, suas ações durante o Governo do Rio Grande do Sul (1959-1963) revelaram suas ideias e seu comportamento antivassalagem.
Foi assim ao desapropriar empresas como a Bond and Share, que explorava os serviços de energia elétrica e se negava a estender seus serviços às zonas rurais, e a International Telephone and Telegraph (ITT), detentora do monopólio dos serviços telefônicos. Sem falar na ousadia de Brizola em fazer a reforma agrária ou, simplesmente, a sua determinação e a épica Campanha da Legalidade.
Esses fatos aterrorizaram os interesses americanos e marcaram Brizola, definitivamente, como o oponente ianque que jamais deveria ser presidente, além de tornar-se o inimigo número 1 do Golpe de 1964, como também um dos exilados mais vigiados e monitorados pelas agências de inteligência.
Nem mesmo a ação humanitária de Jimmy Carter concedendo asilo político a Brizola, devido a sua expulsão do Uruguai, removeu o veto que os interesses americanos puseram contra Brizola.
Assim foi com o golpe de Golbery do Couto e Silva quando este tirou a legenda do PTB de Brizola; com a fraude da Proconsult, que quase surrupiou seu direito de governar o estado do Rio de Janeiro; com os sucessivos adiamentos de eleições diretas para presidente, que só ocorreriam em 1989; entre outros fatos que impediram-no de chegar à Presidência.
Para isso, os ianques sempre contaram com ajuda preciosa de nossas elites, destaque aqui para o Sr. Roberto Marinho e as Organizações Globo, opositores confessos de Brizola.
Temiam eles (os americanos) que Brizola transformasse o Brasil não em uma nova Cuba, mas em uma China do século XXI.
O pecado mortal de Brizola era sua independência, sua concepção de soberania nacional e sua coragem. Brizola jamais se curvou para chegar à Presidência; perdeu eleições, mas manteve a sua honra, as suas ideias coerentes e a sua espinha ereta. Talvez essa seja mais uma razão de sua grandiosidade.
Quem perdeu foi o Brasil, as crianças, a nacionalidade.
Não nos regozijamos em estar ao lado dos “vencedores”, afinal, o Brasil sonhado por Brizola continua a nutrir e a mobilizar milhares de brasileiros.
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